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Recuperação extrajudicial5 min de leitura

Grupo Primuss, da fabricante de armas Fire Eagle, apresenta plano para R$ 17,76 milhões em créditos abrangidos

As três indústrias de Esteio (RS) pediram em 22 de setembro de 2026 a homologação de um plano de recuperação extrajudicial assinado por Banrisul e Caixa, que somam 52,51% dos créditos abrangidos. Banco do Brasil, Sicredi e Santander não aderiram; o plano prevê deságio de 90% para não aderentes.

Por Equipe editorial · revisada por Redação PreservaCred
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Galpões e rodovias alagados na Região Metropolitana de Porto Alegre em 5 de maio de 2024; foto ilustrativa das enchentes citadas pelo Grupo Primuss. Foto: Ricardo Stuckert/PR, CC BY-SA 2.0, recortada
Galpões e rodovias alagados na Região Metropolitana de Porto Alegre em 5 de maio de 2024; foto ilustrativa das enchentes citadas pelo Grupo Primuss. Foto: Ricardo Stuckert/PR, CC BY-SA 2.0, recortada

O Grupo Primuss, que reúne três indústrias de Esteio (RS), entre elas a fabricante de armas Fire Eagle, pediu em 22 de setembro de 2026 a homologação de um plano de recuperação extrajudicial para R$ 17,76 milhões em créditos abrangidos.

Em resumo

  • Banrisul e Caixa assinaram o plano e somam 52,51% dos R$ 17,76 milhões em créditos abrangidos, segundo a petição.
  • Banco do Brasil, Sicredi e Santander, com 47,49%, não aderiram; para credores não aderentes, o plano prevê deságio de 90%.
  • Até 23 de setembro de 2026, nenhuma decisão do juízo foi localizada.

O que aconteceu

O pedido, no processo XXXXX-40.2026.8.21.0001, foi distribuído em 22 de setembro de 2026 ao 2º Juízo da Vara Regional Empresarial de Porto Alegre, por dependência à tutela cautelar antecedente que as empresas ajuizaram ali em 16 de junho de 2025, na qual, segundo a inicial, foi feita a mediação com os credores financeiros. Assinam o pedido a Primuss Indústria Metal Técnica, a B&B Metalúrgica e a Fire Eagle Parts Indústria de Armas, instaladas em pavilhões do mesmo complexo industrial, na BR-116.

Segundo a petição, a Primuss fabrica peças técnicas por usinagem CNC; a B&B produz máquinas e equipamentos para a agricultura e a pecuária; e a Fire Eagle ampliou em 2017 seu escopo para armas de fogo e lançou sua primeira linha própria em 2022. A inicial apresenta o grupo como fornecedor de órgãos públicos de segurança.

O que levou à crise

De acordo com as requerentes, a perda de um dos principais clientes em 2023 derrubou o faturamento em aproximadamente 76% em relação ao ano anterior, e o grupo passou a recorrer a empréstimos bancários. Em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul deixaram as instalações submersas e paralisaram a produção, sustenta a peça.

Números principais reportados no processo

Os R$ 17,76 milhões têm data-base de 27 de maio de 2026. Pela relação de credores, a B&B é a devedora principal de R$ 10,61 milhões; a Primuss, de R$ 7,12 milhões; e a Fire Eagle, de R$ 35,49 mil.

O que o plano prevê e a situação no juízo

O plano oferece três condições de pagamento:

  • Signatários (Condição A): sem deságio, 12 meses de carência a partir da homologação, período sem pagamento de juros nem de principal, e 108 parcelas mensais pela tabela Price, com TR mais 1% ao mês. Só eles recebem ainda 50% do resultado líquido da venda de um imóvel em Viamão (RS) e hipoteca judicial sobre três imóveis em Esteio.
  • Aderentes (Condição B): mesmo pagamento, sem os benefícios extras; a adesão ocorre em até 10 dias corridos da notificação. Signatários e aderentes aceitam suspender cobranças contra devedores solidários enquanto o plano for cumprido.
  • Não aderentes (Condição C): deságio de 90% sobre o saldo devedor, ou seja, o credor receberia 10% do saldo, 24 meses de carência de juros e principal e pagamento em 108 meses, com encargos só da TR.

As empresas pedem ainda, em tutela de urgência, a suspensão das execuções ligadas aos créditos abrangidos até a decisão sobre a homologação, além do reconhecimento da consolidação substancial do grupo, que, segundo a inicial, sustenta a apuração conjunta do quórum de adesão das três empresas e o plano único de pagamento. Até 23 de setembro de 2026, nenhuma decisão sobre esses pedidos foi localizada nos documentos examinados.

O que muda para os credores

O plano abrange só créditos de instituições financeiras, todos na classe quirografária. O Banrisul lidera, com R$ 6,86 milhões em seis lançamentos (38,64%), seguido do Banco do Brasil, com R$ 6,21 milhões em um (34,95%), da Caixa Econômica Federal, com R$ 2,46 milhões em três (13,88%), da Sicredi Origens RS, com R$ 1,88 milhão em um (10,58%), e do Santander, com R$ 347,33 mil em três (1,96%).

Segundo a petição, a assinatura de mais da metade dos créditos faz a homologação vincular também quem não assinou. Para os três credores de fora, a diferença é receber sem deságio, aderindo, ou com corte de 90%. Créditos tributários e trabalhistas, arrendamento mercantil, adiantamento de câmbio e financiamentos com alienação fiduciária ficam fora, diz a inicial.

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Resumo executivo

  • Escopo: R$ 17,76 milhões em créditos abrangidos.
  • Estágio: pedido de homologação distribuído em 22/09/2026, sem decisão.
  • Marco: a decisão sobre a tutela de urgência e o edital de impugnações pedidos.

Número do processo: XXXXX-40.2026.8.21.0001.

Juízo: 2º Juízo da Vara Regional Empresarial de Porto Alegre.

Valor da causa: R$ 17.764.662,83.

Empresas requerentes:

Nota ao leitor

Esta reportagem foi produzida com base nos autos disponíveis na data da consulta, 23 de setembro de 2026. Os valores e as alegações são atribuídos às peças processuais e podem ser alterados por atos posteriores. O conteúdo é informativo e não substitui a leitura dos autos nem orientação jurídica.

O Preservacred mantém espaço aberto às empresas citadas e aos seus representantes para esclarecimentos, contraditório ou manifestação sobre os fatos noticiados. Identificou divergência entre esta reportagem e os autos? Escreva para redacao@preservacred.com.br: correções e manifestações são publicadas nesta mesma página, com data.

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Processos citados

  • XXXXX-40.2026.8.21.0001

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Matéria produzida a partir de fontes públicas oficiais e da base PreservaCred · Metodologia e fontes · CC BY 4.0 com atribuição a “dados PreservaCred”.

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