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Recuperação judicial

Winter Garden Construtora pede recuperação judicial com R$ 42,9 milhões em créditos sujeitos

A construtora de Barueri (SP), contratada em obras públicas, distribuiu o pedido em 28 de agosto de 2026: R$ 42,90 milhões sujeitos à recuperação e ao menos R$ 27,83 milhões fora do concurso, entre fisco e bancos com garantia fiduciária. Os autos aguardam o primeiro despacho.

Por Equipe editorial · revisada por Fernanda Arruda
5 min de leitura atualizada 31/08/2026
Prédio em construção em São Paulo: a Winter Garden Construtora atua em obras públicas e pediu recuperação judicial. Foto ilustrativa: Gaf.arq/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, recortada
Prédio em construção em São Paulo: a Winter Garden Construtora atua em obras públicas e pediu recuperação judicial. Foto ilustrativa: Gaf.arq/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, recortada

A Winter Garden Construtora, de Barueri (SP), pediu recuperação judicial em São Paulo em 28 de agosto de 2026, listando R$ 42.895.060,24 em créditos sujeitos — o valor da causa — e ao menos R$ 27,83 milhões fora do concurso. A 3ª Vara de Falências ainda não despachou.

Em resumo

  • A relação de credores lista R$ 42.895.060,24 sujeitos à recuperação: R$ 21.345.726,11 quirografários, R$ 13.509.255,44 com garantia real, R$ 7.557.155,14 de micro e pequenas empresas e R$ 482.923,55 trabalhistas.
  • Fora do concurso há ao menos R$ 27,83 milhões: passivo fiscal de R$ 18.153.733,37 e R$ 9.677.761,13 de bancos com garantia fiduciária.
  • Não há decisão: os autos aguardam despacho, nada foi suspenso e certidões juntadas ao pedido registram 694 protestos e 29 ações cíveis em curso contra a empresa.

O que aconteceu

A construtora requereu o processamento na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, indicando Barueri como centro de suas atividades e uma filial em Santa Catarina. Constituída em 7 de outubro de 2014, com capital que passou de R$ 300.000,00 para R$ 7.200.000,00, atua em construção de edifícios e obras de urbanização, sobretudo públicas. Em 2026 assumiu dois contratos em Carapicuíba: R$ 14.197.000,00 para construir a EMEF Sítio Veloso, em contrato com vigência de 24 meses, e R$ 6.834.000,00 para concluir a EMEI Jardim Tonato, com execução em 15 meses.

O que levou à crise

Segundo a petição inicial, a retração do setor imobiliário a partir de 2015, os juros altos e a pressão inflacionária comprimiram demanda e margens, e a alta de insumos como cimento, aço e concreto corroeu contratos de preço fechado, sobretudo em obras públicas. A empresa afirma que esse quadro a obrigou a contratar sequenciais empréstimos bancários, cujos juros elevados, sustenta, contribuíram para a perda do equilíbrio financeiro.

Números principais reportados no processo

Além dos créditos sujeitos, as relações anexadas ao pedido descrevem passivo fiscal de R$ 18.153.733,37 e R$ 9.677.761,13 em créditos bancários não sujeitos, garantidos por cessão ou alienação fiduciária: Bradesco com R$ 7.365.413,20 em dois contratos, Santander com R$ 1.722.937,04, Banco do Brasil com R$ 475.312,50 e B2B com R$ 114.098,39. Certidões de protesto registram 669 títulos protestados em Barueri e 25 em Carapicuíba; certidões de distribuição apontam 29 ações cíveis em curso, entre elas 7 execuções de título extrajudicial e um incidente de desconsideração da personalidade jurídica.

O que foi pedido e a situação no juízo

A empresa pediu o deferimento do processamento e, em liminar, duas providências: autorização para seguir participando de licitações públicas sem certidões negativas fiscais — pedido que abre a petição, decisivo para quem vive de contratos públicos — e o cancelamento dos protestos de títulos vencidos até a distribuição. Pediu ainda prazo de 60 dias para o plano, nomeação de administrador judicial, dispensa de certidões negativas para o exercício das atividades, suspensão de ações e execuções por 180 dias, expedição do edital e o parcelamento da taxa judiciária de R$ 115.260,00 em seis vezes.

Nenhum desses pedidos foi apreciado: a capa processual registra os autos como aguardando despacho.

O que muda para os credores

Enquanto não houver decisão, nada está suspenso: as 29 ações certificadas — inclusive as 7 execuções — seguem seu curso, e os 694 protestos permanecem em pé.

Entre os sujeitos, a garantia real tem credor único: Banco do Brasil, R$ 13.509.255,44, lastreado em matrícula de imóvel. A quirografária concentra R$ 21.345.726,11, e a classe de micro e pequenas empresas pulveriza R$ 7.557.155,14 entre cerca de 230 credores. Bancos com trava fiduciária, fora do concurso, podem seguir executando suas garantias. O próximo marco é o despacho inicial, do qual dependem o pedido de suspensão e o edital de credores.

Resumo executivo

  • O crédito sujeito soma R$ 42,90 milhões; fora do concurso há ao menos R$ 27,83 milhões entre fisco e bancos com garantia fiduciária.
  • Nada está suspenso: execuções, protestos e cobranças seguem valendo até o primeiro despacho.
  • Acompanhe o despacho inicial e, se ele vier, o edital com o prazo de habilitação.

Número do processo: XXXXX-53.2026.8.26.0100

Distribuição: 28 de agosto de 2026

Juízo: 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais — Foro Central Cível de São Paulo

Tipo: Recuperação judicial

Devedora: Winter Garden Construtora Ltda

Nota ao leitor

Esta reportagem foi produzida com base nos autos disponíveis na data da consulta. Os valores e as alegações são atribuídos às peças processuais e podem ser alterados por atos posteriores.

O conteúdo é informativo e jornalístico. Não é parecer nem orientação jurídica e não substitui a leitura dos autos. Antes de decidir sobre crédito, habilitação ou cobrança, consulte os autos, as publicações oficiais do tribunal e o seu advogado.

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Processos citados

  • XXXXX-53.2026.8.26.0100

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